sexta-feira, setembro 15, 2006

Eleições

Quando iniciamos este blog, pensei em evitar assuntos políticos. Mas não resisti.
Decidi fazer o que todo cidadão um pouco mais esclarecido deveria fazer, e consegui os programas de governo dos candidatos a presidente. Ainda não os li por completo, mas em breve poderei até falar alguma bobagem sobre a eleição, mas será uma bobagem muito mais embasada!
Escolhi dois programas – Lula e Alckmin. Não me dei ao trabalho de buscar o da Heloísa Helena por um comentário dela em uma entrevista: “Programa do Partido é uma coisa, programa de governo é outra”. Para mim, ou você acredita em alguma coisa ou não. Se o partido viu que seus ideais para o país não servem para governar, deveriam mudar seus conceitos como um todo, e não apenas caso eles mudem de oposição para situação (aliás, este conceito de oposição e situação no Brasil é simplesmente ridícula).
Voltemos aos programas dos dois candidatos. Fiz uma rápida passagem pelo conteúdo do PT e notei que não há números. Me pareceu mais uma carta de intenções. Ora, vindo de um candidato que está tentando a reeleição, minha expectativa era de um conteúdo recheado, demonstrando não só o planejamento inicial, mas um detalhamento mais rico.
Nesse meio tempo, vi o resultado de uma pesquisa, que indica que o candidato do PSDB lidera por ampla margem a intenção de votos das pessoas de famílias que ganham mais de 10 salários mínimos / mês. É claro, pensei, afinal estas pessoas tiveram condições de buscar uma educação mais completa, por isso podem ter uma opinião mais embasada, ao compararem os programas de governo, e o do Alckmin era muito melhor e mais completo. Bem, foi isso o que pensei. Mas o programa dele sofre do mesmo problema. Não há informações sobre como pretende atingir os objetivos, apenas uma linha-mestra. E neste primeiro momento, não vi muita diferença nos dois. Espero que isso mude quando estudá-los melhor, porque neste momento, a única coisa que posso concluir é o óbvio: o brasileiro não sabe votar (gostaria de ver uma pesquisa que verificasse a quantidade de pessoas que decidiram seu voto baseando-se na leitura dos planos de governo, que com certeza só ajudaria a fortalecer esta opinião). É por este motivo que acho muito hipócrita quando políticos dizem que o julgamento deles será nas urnas. Mas o ponto não é este.
A camada mais pobre da população prefere o Lula porque ele vem do mesmo berço que eles, e por isso ele os entende melhor. Discordo. Para mim, este é um pensamento simplista e preconceituoso. Fazendo uma comparação absurda, seria o mesmo que dizer que pessoas pobres não poderiam ser assaltadas, pois os assaltantes também são pobres e entendem estas pessoas. Como disse, é simplista e preconceituoso. Pode-se falar também do Bolsa-Família em defesa de Lula. É um programa excelente, mas sozinho ele “escraviza” a população. Sem condições de evoluir por termos um sistema educacional medíocre, as pessoas ficam dependentes deste dinheiro. Neste ponto, concordo plenamente com o Cristovam Buarque, o Brasil precisa de uma revolução na educação. Prova de que o sistema é incompleto pode ser vista na pesquisa do IBGE que demonstra que mesmo com a elevação de renda geral do país, a disparidade entre ricos e pobres não diminuiu.
Já os que preferem o Alckmin o fazem porque não viram melhoras significativas em suas vidas na gestão do PT, mesmo pagando mais impostos do que nunca. Mas estes também desconhecem as idéias do candidato.
Minha intenção não é dizer quem acho melhor para o cargo. Primeiramente, vou ler o plano de governo de cada um. Não é o material que esperava, mas é o que temos de mais completo para entender o que cada um deles pretende. Temos aqui somente a constatação de que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer até atingir a maturidade em relação a escolha de seus representantes.

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